quarta-feira, 15 de maio de 2013

MAJOR PAIVA COMBATENDO O CRIME NAS DIVISAS COD


Com objetivo de “fechar” as divisas goianas, o Governo de Goiás efetivou em abril de 2012 o Comando de Operações de Divisas (COD). Desde então foram apreendidos por esse efetivo 1.756 quilos de entorpecentes e 33,780 milhões de unidade de cigarro. Vinte foragidos foram recapturados e realizadas 44.772 abordagens. Nesse primeiro momento a corporação foi utilizada em ações no Sudoeste de Goiás. Agora esse trabalho começa a ser ampliado para o Nordeste goiano. Assista vídeo sobre o COD.
Os primeiros municípios que receberam postos do COD foram Cachoeira Alta, Aporé, Chapadão do Céu, Piranhas e Jataí (bases de apoio). Estas bases operam com o apoio do chamado COD Móvel – equipes táticas compostas por quatro integrantes -  que patrulha diuturnamente pontos específicos das divisas. O Nordeste goiano recebe agora equipes móveis. Policiais que atuam na região por meio do Grupo de Patrulhamento Tático (GPT) receberam treinamento específico do Comando de Divisas para o combate aos roubos denominados “Novo Cangaço”, em que grandes grupos de assaltantes invadem as cidades e efetuam roubos a bancos, comércios, entre outros.
major-paiva-fotos-eduardoferreira-2999Até o mês de julho deste ano, mais duas bases serão edificadas: em Corumbaíba (Sul) e Tataíra (Norte). Ambas estão sendo viabilizadas e em fase de adequação. A previsão é que até o final de 2014 haja 15 bases. “Nós temos hoje cinco bases fixas e nosso planejamento é para aperfeiçoamos as nossas equipes móveis. As bases fixas do COD são bases de apoio, porque o nosso serviço é mais volante. Porque nós temos uma extensa fronteira seca, com várias estradas vicinais usadas pelos meliantes”, explica o comandante do COD, major Luís César Gonçalves de Paiva. Confira o áudio do major Paiva sobre a estrutura do COD.
O uso dessas equipes móveis é fundamental ao combate da criminalidade. Isso porque elas se mostram mais úteis, pois utilizam o fator surpresa nas abordagens. “O COD foi criado com o objetivo de coibir a entrada nas nossas divisas de contrabando, de drogas, descaminho e de todos os crimes que assolam nosso Estado. Nós sabemos que o que fomenta a violência nas cidades são os meliantes que trazem esses produtos de outros Estados e de outros países”.Principais ocorrências nas divisas
Mapeamento realizado pela Secretaria de Segurança Pública e Justiça, através do setor de inteligência e de suas forças policiais, verificou o perfil dos principais crimes nas divisas do Estado (Veja ao lado).  A Região Sudoeste concentra a entrada de drogas, armas e contrabando. Nas regiões Sul e Sudeste há grande número de roubo de veículos. Nas regiões Nordeste e Norte as ocorrências são de crimes ambientais e de grandes quadrilhas, conhecidos como “Novo Cangaço”. Também é foco o roubo de veículos. Ouça a análise do comandante do COD sobre o perfil dos crimes de divisas.
TreinamentoO efetivo do Comando de Operações de Divisas tem um treinamento diferenciado. Eles passam por profissionalização relativa à utilização de força letal e não letal e de ações táticas em rodovias e áreas adjacentes. Para integrar o COD, é necessário que o policial tenha treinamento especializado em alguns dos outros grupos especiais, como Grupo de Patrulhamento Tático, Rotam e Batalhão de Choque. 
operacoes-nas-divisas-2487“Nós fazemos estágios com esses policiais já especializados no tocante a policiamento de rodovias, específico do Batalhão de Divisas”, pontua o comandante do COD. Acesse aqui o áudio sobre o treinamento do efetivo do COD. A ação da tropa tem que ser diferenciada, uma vez que atua no combate a criminosos de alta periculosidade. Em média são 45 dias de treinamento, em que o policial recebe aulas desde abordagem e tiro até verificação veicular.
Trabalho pioneiro
O trabalho desenvolvido pelo COD em Goiás foi destaque nacional e tem sido referência no combate aos chamados crimes de divisas. Este ano, o Estado recebeu representantes do governo federal que buscavam conhecer a experiência goiana exitosa para replicar em outras unidades da Federação.
Na ocasião, o gerente do programa Estratégia Nacional de Segurança Pública de Fronteiras (Enafron), Alex Jorge das Neves, destacou que as ações de divisas realizadas pelo Governo de Goiás são pioneiras. Essas atividades se destacam ainda mais ao considerar que o Estado não faz fronteira com outros países e mesmo assim, está preocupado em desenvolver uma política de combate a criminalidade nas divisas.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

NAMORANDO COM O SUICÍDIO

Autor(es): J.R.Guzzo
Veja - 28/01/2013


   Se nada piorar neste ano de 2013, cerca de 250 policiais serão assassinados no Brasil até o próximo dia 31 de dezembro. É uma história de horror, sem paralelo em nenhum país do mundo civilizado. Mas estes foram os números de 2012, com as variações devidas às diferenças nos critérios de contagem, e não há nenhuma razãopara imaginar que as coisas fiquem melhores em 2013 — ao contrário, o fato de que um agente de polícia é morto a cada 35 horas por criminosos, em algum lugar do país, é aceito com indiferença cada vez maiorpelas autoridades que comandam os policiais e que têm a obrigação de ficar do seu lado. A tendência, assim, é que essa matança continue sendo considerada a coisa mais  natural do mundo — algo que “acontece”,como as chuvas de verão e os engarrafamentos de trânsito de todos os dias.

     Raramente, hoje em dia, os barões que mandam nos nossos govemos, mais as estrelas do mundo intelectual, os meios de comunicação e a sociedade em geral se incomodam em pensar no tamanho desse desastre. Deveriam, todos, estar fazendo justo o contrário, pois o desastre chegou a um extremo incompreensível para qualquerpaís que não queira ser classificado como selvagem. Na França, a ficar em um exemplo de entendimentorápido, 620 policiais foram assassinados por marginais nos últimos quarenta anos — isso mesmo, quarenta anos, de 1971 a 2012. São cifras em queda livre. Na década de 80, a França registrava, em média, 25 homicídios de agentes de polícia por ano, mais ou menos um padrão para nações desenvolvidas do mesmoporte. Na década de 2000 esse número caiu para seis — apenas seis, nem um a mais, contra os nossos atuais 250. O que mais seria preciso para admitir que estamos vivendo no meio de uma completa aberração?
   Há alguma coisa profundamente errada com um país que engole passivamente o assassínio quase diário de seus policiais — e, com isso, diz em voz baixa aos bandidos que podem continuar matando à vontade, pois, nofundo, estão numa briga particular com "a polícia", e ninguém vai se meter no meio. Essa degeneração é oresultado direto da política de covardia a que os governos estaduais brasileiros obedecem há décadas diante da criminalidade. Em nenhum lugar a situação é pior do que em São Paulo, onde se registra a metade dos assassinatos de policiais no Brasil; com 20% da população nacional, tem 50% dos crimes cometidos nessa guerra. É coisa que vem de longe. Desde que Franco Montoro foi eleito governador, em 1982, nas primeiras eleições diretas para os governos estaduais permitidas pelo regime militar, criou-se em São Paulo, e dali se espalhou pelo Brasil, a ideia de que reprimir delitos é uma postura antidemocrática — e que a principal função do estado é combater a violência da polícia, não o crime. De lá para cá, pouca coisa mudou. A consequência está aí: mais de 100 policiais paulistas assassinados em 2012.
     O jornalista André Petry, num artigo recente publicado nesta revista, apontou um fato francamente patológico: o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, conseguiu o prodígio de não comparecer ao enterrode um único dos cento e tantos agentes da sua polícia assassinados ao longo do ano de 2012. A atitude seria considerada monstruosa em qualquer país sério do mundo. Aqui ninguém sequer percebe o que o homem fez, a começar por ele próprio. Se lesse essas linhas, provavelmente ficaria surpreso: "Não, não fui a enterro nenhum. Qual é o problema?". A oposição ao governador não disse uma palavra sobre sua ausência nos funerais. As dezenas de grupos prontos a se indignar 24 horas por dia contra os delitos da polícia, reaisou imaginários, nada viram de anormal na conduta do governador. A mídia ficou em silêncio. É o abertodescaso pela vida, quando essa vida pertence a um policial. É, também, a capitulação diante de uma insensatez: a de ficar neutro na guerra aberta que os criminosos declararam contra a polícia no Brasil.
    Há mais que isso. A moda predominante nos governos estaduais, que vivem apavorados por padres,jornalistas, ONGs, advogados criminais e defensores de minorias, viciados em crack, mendigos, vadios e poraí afora, é perseguir as suas próprias polícias — com corregedorias, ouvidorias, procuradorias e tudo oque ajude a mostrar quanto combatem a "arbitrariedade". Sua última invenção, em São Paulo, foi proibir a polícia de socorrer vítimas em cenas de crime, por desconfiar que faça alguma coisa errada se o ferido forum criminoso; com isso, os policiais paulistas tornam-se os únicos cidadãos brasileiros proibidos de ajudar pessoas que estejam sangrando no meio da rua. É crescente o número de promotores que não veem comosua principal obrigação obter a condenação de criminosos; o que querem é lutar contra a “higienização" dasruas, a “postura repressiva” da polícia e ações que incomodem os “excluídos”. Muitos juizes seguem na mesma procissão. Dentro e fora dos governos continua a ser aceita, como verdade científica, a ficção de que a culpa pelo crime é da miséria, e não dos criminosos. Ignora-se o fato de que não existe no Brasil de hoje um único assaltante que roube para matar a fome ou comprar o leite das crianças. Roubam, agridem e matam porque querem um relógio Rolex; não aceitam viver segundo as regras obedecidas por todos os demais cidadãos, a começar pela que manda cada um ganhar seu sustento com o próprio trabalho. Começam no crime aos 12 ou 13 anos de idade, estimulados pela certeza de que podem cometer os atos mais selvagens semreceber nenhuma punição; aos 18 ou 19 anos já estão decididos a continuar assim pelo resto da vida.

      Essa tragédia, obviamente, não é um “problema dos estados”, fantasia que os governos federais inventaram há mais de 100 anos para o seu próprio conforto — é um problema do Brasil. A presidente Dilma Rousseff acorda todos os dias num país onde há 50000 homicídios por ano; ao ir para a cama de noite, mais 140 brasileiros terão sido assassinados ao longo de sua jomada de trabalho. Dilma parece não sentir que issoseja um absurdo. No máximo, faz uma ou outra reunião inútil para discutir “políticas públicas” de segurança, em que só se fala em verbas e todos ficam tentando adivinhar o que a presidente quer ouvir. Nãotem paciência para lidar com o assunto; quer voltar logo ao seu computador, no qual se imagina capaz de montar estratégias para desproblematizar as problematizações que merecem a sua atenção. Não se dá conta de que preside um país ocupado, onde a tropa de ocupação são os criminosos.

     Muito pouca gente, na verdade, se dá conta. Os militares se preocupam com tanques de guerra, caças e fragatas que não servem para nada; estão à espera da invasão dos tártaros, quando o inimigo real está aqui dentro. Não podem, por lei. fazer nada contra o crime —  não conseguem nem mesmo evitar que seus quartéis sejam regularmente roubados por criminosos à procura de armas. A classe média, frequentemente em luta para pagar as contas do mês, se encanta porque também ela, agora, começa a poder circular em carros blindados: noticia-se, para orgulho geral, que essa maravilha estará chegando em breve à classe C. O número de seguranças de terno preto plantados na frente das escolas mais caras, na hora da saída, está a caminho de superar o número de professores. As autoridades, enfim, parecem dizer aos policiais: “Damos verbas a vocês. Damos carros. Damos armas. Damos coletes salva-vidas. Virem-se”.

      É perturbadora, no Brasil de hoje, a facilidade com que governantes e cidadãos passaram a aceitar oconvívio diário com o mal em estado puro. É um "tudo bem” crescente, que aceita cada vez mais como normalo que é positivamente anormal — “tudo bem” que policiais sejam assassinados quase todos os dias, que 90% dos homicídios jamais cheguem a ser julgados, que delinquentes privatizem para seu uso áreas inteiras das grandes cidades. E daí? Estamos tão bem que a última grande ideia do governo, em matéria de segurança, é uma campanha de propaganda que recomenda ao cidadão: “Proteja a sua família. Desarme-se”. É uma bela maneira, sem dúvida, de namorar com o suicídio.  

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

QUESTÃO DE SOBREVIVÊNCIA POLICIAL: Minimizando os riscos da profissão......

        Foto registrada durante operação realizada em favela no Rio de Janeiro pelo BOPE. 

Com o aumento da criminalidade violenta no Brasil o profissional de segurança pública vem se tornando vítima deste mesmo cenário. A mídia tem noticiado diuturnamente elevadas baixas de policiais, seja por lesões graves permanentes, óbitos ou envolvimento em procedimentos judiciais, levando-o a um grupo de risco contra sua própria segurança.  Torna-se inevitável que este profissional aja proativamente buscando se qualificar técnica e psicologicamente ao momento da tomada de decisões para o exercício do seu dever legal, em serviço ou de folga, pois a sociedade espera uma tomada de decisão equilibrada, aceitável e uma ação eficiente.
   O atual quadro de violência em nosso país é gerado por múltiplos fatores, tais como a impunidade, a falência do sistema penitenciário, a ineficiência crônica das leis e do sistema jurídico, os grandes bolsões de miséria, deficiência em fiscalização e controle de armas e de drogas, aliada à audácia dos criminosos e a adoção de um modelo de segurança pública que atua quase sempre de forma reativa e pouco proativa oscilando por tentativas entre erros e acertos.
   Estes e outros fatores têm levado as instituições policiais brasileiras a se exporem em demasia e a experimentar, nos últimos tempos, inúmeros casos reais de confrontos (armados ou não, envolvendo policiais em serviço ou de folga), em resposta a agressões de toda ordem provocadas por criminosos, o que tem gerado baixas significativas nos quadros policiais (altos índices de lesões graves permanentes, óbitos ou envolvimento em procedimentos judiciais contra policiais) e ainda, as “balas” perdidas vitimando também pessoas inocentes da sociedade acumulando prejuízos irremediáveis ao estado, às instituições policiais, à sociedade e em última instância à classe de policiais brasileiros e suas famílias.
   A atividade policial sem dúvida leva o profissional que abraça tamanho sacerdócio a se inserir em grupo de risco contra sua própria segurança. A compreensão deste paradoxo conduz a um dos instrumentos de vital importância para o exercício da profissão: para adquirir capacitação, confiança e segurança em sua atuação é necessário que o profissional de Segurança Pública busque a preparação técnica e psicológica, pois pode se envolver tanto em ocorrências cotidianamente consideradas comuns, quanto em situações de extrema complexidade lembrando que, o policial, como qualquer cidadão, pode potencialmente transformar-se em vítima da violência em momento de folga, fato este que tem aumentado vertiginosamente no Brasil, apresentados na mídia e nas estatísticas policiais.
   A complexidade de situações, ainda agravadas pela necessidade de tomada de decisões imediatas nas quais o policial é submetido sob o efeito do estresse, exige uma capacitação abrangente para que esteja apto a bem gerenciar tais conflitos. Isso nos remete à importância de oferecer ao profissional de segurança o treinamento e as ferramentas que o aproximem de cenários reais que atua sem deixar de lado outros fatores importantes como o apoio do Estado e o reconhecimento e a motivação da sociedade.
   Algumas medidas preventivas e defensivas para o policial minimizar seus riscos.....
Adoção e uso de armamento, equipamento e acessórios com rígidos padrões de qualidade.
Bons armamentos, equipamentos e acessórios, aliados à capacidade de gerenciar crises e efetuar procedimentos corretos e padronizados constituem os principais instrumentos de trabalho do policial. Este deve ter afinidade com (armas, munições e equipamentos não letais, tonfas, espagidores, algemas, rádios, lanternas, coletes balísticos) que irá utilizar no seu cotidiano (em serviço ou de folga) e possuir conhecimentos básicos, tais como o momento da utilização, a transposição de um equipamento para o outro; a utilização conjugada e simultânea das técnicas; o tempo necessário para resposta; o empreendimento da força adequada; o manuseio; mecanismo de segurança, princípio de funcionamento e fundamentos.
   A incapacitação imediata e o poder de parada [1](Stopping Power) dos projéteis de arma de fogo são essenciais para o sucesso do intento de uma ação policial defensiva, onde for inevitável o uso da força letal.   Quanto maior a capacidade de um projétil de neutralizar uma ação agressora, menor número de disparos será necessário, gerando, em consequência, mais segurança para a ação e menor possibilidade de incidir o policial em excesso no uso da força.
A importância da preparação continuada voltada à habilitação do policial
   A qualificação do policial através de treinamentos deverá estar à altura da exigência do serviço que lhe é inerente, principalmente na atuação do mecanismo do uso da força.
   Também é importante salientar a relevância de uma boa formação do policial, conduzindo à harmonia e aplicabilidade entre a teoria e a prática. Vale ressaltar que na ausência de doutrina, estrutura e equipamento ideal, a didática da instrução fica prejudicada nos quesitos de qualidade e realismo do treinamento, podendo inclusive não se obter sucesso, gerando com isso, práticas empíricas de instrução pouco eficientes ao ensino da instituição a que se destina, ou até mesmo durante a necessidade de utilização de defesa em situações fora de serviço.
   Verificamos que num momento de estresse decorrente de uma ação de confronto, terá que recorrer ao condicionamento anterior adquirido durante o seu treinamento específico, o que chamamos de [2]memória psicomotora, caso não haja tal treinamento meticuloso, certamente estará o policial vulnerável a situação de elevado risco e praticamente à “mercê” da boa sorte.
Considerações sobre alguns aspectos de ordem legal
   Deverá estar bem claro ao policial cuja principal função é resguardar a sociedade contra situações de infração da lei, que o bem maior a ser defendido é a vida, a sua (o policial), a da vítima e, se possível, a do agressor. A priorização da vida do policial no momento do uso da força se justifica, pois é com ela que deverá promover a segurança da vítima, da vida do agressor, sempre que possível, bem como, a manutenção da lei.
   O policial deverá ter a noção exata do que se passa no local do crime ou no sítio da abordagem, para que não coloque em risco a vida humana, principalmente a de inocentes. É sabido que o medo, a falta de segurança e o excesso de confiança gerado pelo próprio policial, são alguns fatores que demonstram falta de profissionalismo, podendo levar a conseqüências irremediáveis.
Atenção ao elemento supressa em favor da ação do policial
   Entre os princípios de uma abordagem (segurança, surpresa, ação vigorosa, unidade de comando e rapidez), o elemento surpresa, constitui-se em um fator determinante e diferenciador para o sucesso de uma ação policial, principalmente tratando-se da necessidade do uso da força letal. Se o policial perde a surpresa estará possibilitando uma possível reação do agressor com sucesso, podendo gerar situações que culminem em letalidade, e quase sempre é proveniente de falha na adoção adequada dos níveis de alerta.
   Também é importante que o policial esteja preparado para não agir, caso tenha sido surpreendido por terceiros em situação adversa. Isto é, o policial que for encontrado com o fator surpresa em desfavor a sua pessoa e/ou equipe, precisa ter a calma e o controle necessários para saber o momento ideal de reverter o quadro. Quase sempre seu agressor deixará uma margem para que ele possa agir oportunamente dentro da legalidade, não sendo possível não ofereça reação. Este controle só é adquirido por policiais bem orientados que têm a segurança e o preparo profissional adequados para o desempenho ideal de sua função junto à sociedade.
Alguns aspectos psicológicos em que o policial possa se inserir durante uma ação:
   Para o bom desenvolvimento da função a atividade policial deve estar atrelada aos fatores psicológicos. O ser humano, em situação de estresse, tende a perder o seu raciocínio intelectual, trabalhando apenas com seu raciocínio intuitivo ou por meio de seu condicionamento psicomotor.
   É sabido que o policial tem que tomar decisões importantes em frações de tempo muito ínfimos e sob forte estresse. Tais decisões deverão estar revestidas da legalidade, necessidade, moderação, conveniência e proporcionalidade.  Naturalmente, em questões conflitantes que levam ao estresse é essencial para solução destas o controle pessoal de quem tem a obrigação de resolvê-las profissionalmente, superando tanto quanto possível as tendências parciais e emotivas peculiares ao ser humano.
   Outras informações importantes: Dados estatísticos oriundos do estudo de confrontos armados, em pesquisas  de  departamentos de polícia norte americanos, inclusive o FBI, envolvendo ações de alto risco:
a) 40% dos policiais mortos em serviço não tiveram treinamento ou prática de tiro durante três anos após terem efetuado o último disparo em treinamento.
b) Em 60% dos casos de morte de policiais, estes se encontravam tão despreparados para a situação que os matou que nem sacaram suas armas.
            b.1) Desses somente 27% atirou de volta.
            b.2) E desses 27%, apenas 13% conseguiu atingir ou incapacitar seu agressor.
      c)  70% dos policiais atingidos que responderam ao fogo não conseguiu neutralizar seu alvo.
d.1) Sendo que em 20% destes casos, os policiais foram mortos com suas próprias armas, tomadas de suas mãos ou dos coldres.
d)  Em 60% dos casos onde morreram policiais, os criminosos envolvidos eram profissionais e já tinham passagens anteriores pela polícia.
e) Um policial bem adestrado precisará de, no mínimo, 1 a 1,2 segundos para sacar e atirar, enquanto o agressor apenas de milésimos de segundos para atirar se já estiver com arma em punho (lembrando que nas situações rotineiras dificilmente o policial terá sua arma em punho).
f) Mais de 70% dos confrontos armados fatais para policiais ocorrem durante missões aparentemente       rotineiras.
g) Um em cada dez policiais mortos estava de folga e isto quer dizer que uma vez que você é policial você se torna um alvo durante as 24 horas do dia.
h) 85% das distâncias nos confrontos armados são menores que 6 metros.
   h.1) A maioria dos policiais mortos em serviço estava a uma distância de no máximo 3 metros.
   h.2) A parte restante estava a menos de 2.
i) Duas em cada três vezes o confronto se dará em locais escuros ou de baixa luminosidade. Na maioria das vezes, não haverá condições de enxergar alça e maça de mira quando for efetuar disparos.
j) O tempo dos tiroteios (em quase 100% dos casos) não foi maior que três segundos e três tiros disparados foi a média calculada, contando-se os disparos do agressor e do policial.
    j.1) Em quase todos os casos, os disparos iniciais determinaram o resultado final do confronto.
k) Nem sempre, um disparo dito certeiro pode incapacitar instantaneamente um indivíduo.
    k.1) Alguns indivíduos atingidos por múltiplos disparos continuam lutando contra a polícia
    k.2) Outros podem sucumbir apenas com um único disparo de raspão
l) Pesquisas médicas comprovam que cerca de 20% dos indivíduos atingidos por um único disparo não ficam incapacitados (neutralizados), mesmo quando atingidos em áreas letais.      
     l.1) Na prática, estão mortos, mas ainda não sabem disso. 
     l.2) Cerca de 13% deles resistem por até 5 minutos, e 7% resistem até mais.
     Verificamos que o número de óbitos de policiais brasileiros aumentou vertiginosamente patrocinados em boa parte por quadrilhas criminosas comprovando que o risco é real e diário. A sobrevivência do policial perpassa por uma mudança de comportamento e gera a necessidade de se colocar em estado de alerta independente do momento de serviço ou de folga, e, portanto, deve agir proativamente objetivando minimizar os riscos da profissão, pois é preciso...............................SOBREVIVER!
      
Goiânia-GO Dezembro de 2012.

Alexandre Flecha Campos - TC QOPM da PMGO é técnico do POP uso seletivo da força e colaborador com a Diretriz Nacional do Uso da Força.
[1] Stopping Power: Termo norte-americano que significa poder de parada que procura responder as ações ofensivas de um agressor com menos tiros e maior eficiência.
[1] Memória psicomotora: Está relacionado a habilidade adquirida pelo ser humano ( policial ) a partir de treinamentos constantes até que se desenvolva movimentos mecânicos e automatizados capazes de respostas intuitivas em situações de reais emprego.   

  

sexta-feira, 29 de junho de 2012

CONCLUÍDO O 1o.CISP!


ROMILDA VENCE!


Meu Papagaio Louro... & meus amigos!
   É exatamente nos momentos de crise que fica claro quem realmente são os amigos, ou mesmo, quem acaba ficando próximo por se portarem como verdadeiros amigos preocupados com o próximo.
   Já passei, e ainda passo por vários dissabores trágicos, que mudaram radicalmente a minha vida e de minha família. Momentos de solidão, de angústia de sentimento de injustiça, me rodeiam a todo momento. Mas Deus é luz, é serenidade! Carmas à parte, creio que a Força Divina colocou em meu caminho pessoas especiais para amenizar os meus sofrimentos.
  Diante da ameaça de ver meu papagaio Louro ser arrancado de seu lar e privado de meus cuidados e carinho, passei a lutar e me agarrei em pessoas especiais. Deparei-me com a linda Sabrina Ritiely, moça maravilhosa de beleza interior imensurável sem  falar de sua simpatia e sorriso de criança, que não mediu esforços em me ouvir, que não se estressou com as minhas lágrimas e que realmente me confortou com seu jeito doce. Nem tenho como agradecer-te, bela Sabrina!
   O baluarte Batista Custódio, homem sensível e ao mesmo tempo implacável com as injustiças desse mundo, foi outro fator preponderante nessa minha saga pelo amor do meu Louro e do meu filho querido que fora covardemente assassinado quando servia a sociedade. O senhor Batista Custódio, em sua inquestionável vivência e conhecimento humano, configurou-se em meu porto seguro nessa luta.
   Ao bravo jornalista Hélmiton Prateado, destemido, como é de praxe entre os homens de sua família e perseguidor da verdade e da justiça, não se curvou nas dificuldades encontradas para transmitir verdadeiramente os fatos nessa lide.
   A minha advogada Carolina Alves Luiz Pereira, uma verdadeira fada, que de forma causídica e jurídica, clareou os caminhos da justiça. Sua formidável atenção, demonstra o seu amor pela profissão que abraçou.
   A doutora-veterinária Cynthia Sandoval Lavigne, foi quem atestou tecnicamente, a importância do Lourinho permanecer em nossa família. Com visão científica, preconizou as consequências de um retorno selvagem para a integridade do meu papagaio Lourinho.
   Dentro da necessária imparcialidade, ressalto a nobre decisão do Exmo. Juiz Federal Carlos Augusto Tôrres Nobre, sendo nobre até no nome, esse magistrado deu o direito, mas fazendo a verdadeira justiça, proporcionando a continuidade, dos mais de 30 anos, do Lourinho em nossa convivência. Obrigado, senhor Juiz... vossa sabedoria fez meu coração transbordar de alegria, tendo reascendido o sentimento de existência de justiça nesse país!
   A única pessoa que sempre implicou com a alegria de viver do meu papagaio Lourinho; providenciando denúncias aos órgãos ambientais, a fim de retirá-lo de meu convívio e zêlo, iniciando todo esse imbrólio; quero dizer que faço orações por você e pela sua família todos os dias, pedindo à Deus proteção e conforto, e que nunca você passe pelas dores que venho sofrendo nos últimos anos. Foi exatamente com essa crise instalada, essa dificuldade imposta, que houve a oportunidade de melhoria! Agora não é só meu amor de mais de 30 anos pelo papagaio Lourinho ou mesmo o que ele representava para o meu filho querido que ainda vive em mim... Agora é também a Justiça Federal dizendo que o Lourinho tem domícilo e endereço certo: o meu lar!
   Obrigado aos meus verdadeiros amigos! Obrigado as pessoas que se importaram com minha dor, e se portaram como amigos leais mesmo não me conhecendo...


ROMILDA JUSTINO FRANCO, mãe do TEN FRANCO de saudosa memória, e do Papagaio LOURO (que agora está em voo livre no meu coração)

quarta-feira, 23 de maio de 2012

A raiz dos nossos problemas de segurança


Por Luiz Eduardo Soares e Ricardo Balestreri*
A situação da segurança pública no país permanece grave, a despeito de respeitáveis esforços pontuais. Aconteceram avanços regionais, mas o resultado nacional segue inalterado, pois os problemas se disseminaram para o interior e a insegurança cresceu em algumas regiões.
Os cerca de 50 mil homicídios dolosos por ano tornam o Brasil o segundo país mais violento do mundo em números absolutos. Apenas 8% desses casos são esclarecidos -ou seja, 92% ficam impunes.
A brutalidade de segmentos da polícia bate recordes. Por outro lado, temos a terceira população carcerária do mundo e a que cresce mais rápido, pois prendemos muito e mal.
Na outra ponta, policiais não são valorizados. Em geral, os salários são insuficientes. As condições de trabalho, inadequadas. A consequência é a adesão ilegal ao segundo emprego na segurança privada informal.
Para evitar o colapso do orçamento público, as autoridades se calam. Preferem conviver com a ilegalidade na base do sistema. Resultado: os turnos de trabalho irracionais não podem ser ajustados; a dupla lealdade obsta a execução das rotinas; a disciplina interna é contaminada pela vinculação com o ilícito; e a impunidade estimula a formação de grupos de interesse cuja expressão extrema são as milícias.
Na raiz dos problemas, está a arquitetura institucional da segurança pública legada pela ditadura, que encontrou abrigo na Constituição.
O artigo 144 atribui grande responsabilidade aos Estados e às suas polícias, cujo ciclo de trabalho é, irracionalmente, dividido entre militares e civis. Ele confere papel apenas coadjuvante à União e esquece os municípios, na contramão do que ocorre com as demais políticas públicas -enquanto isso, as guardas municipais estão em um limbo legal.
As PMs são definidas como força reserva do Exército e forçadas a adotar um modelo organizacional concebido à sua imagem e semelhança.
Ora, sabemos que a boa forma de uma organização é aquela que melhor serve ao cumprimento de suas funções. Pois a missão das polícias no Estado de Direito é muito diferente daquela conferida ao Exército.
O dever das polícias é prover segurança aos cidadãos, garantindo o cumprimento da lei -ou seja, protegendo seus direitos e liberdades contra eventuais transgressões.
O funcionamento usual das instituições policiais, com presença fardada e ostensiva nas ruas, cujos propósitos são sobretudo preventivos, requer, dados a variedade e o dinamismo dos problemas, alguns atributos que hoje estão excluídos pela rigidez da organização.
Exemplos: descentralização, flexibilidade no processo decisório (nos limites da legalidade), respeito aos direitos humanos e aos princípios internacionais que regem o uso comedido da força, adaptação às especificidades locais, capacidade de interlocução, mediação e diagnóstico, liberdade para adoção de iniciativas que mobilizem outros segmentos da corporação e até mesmo outros setores governamentais.
Idealmente, o policial na esquina é um microgestor da segurança em escala territorial limitada, com ampla comunicação com outras unidades e outras instituições públicas.
Assim, consideramos inadiável a inclusão da reforma institucional da segurança pública na agenda política, em nome, sobretudo, da vida, mais do que partidos e eleições.
* Luiz Eduardo Soares, 58, é antropólogo. Ricardo Balestreri, 53, é educador especializado em direitos humanos. Ambos foram secretários nacionais de Segurança Pública no governo Lula (2005 e 2008-2010, respectivamente)
Fonte: Jornal Folha de S.Paulo